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ARTIGO

Cultura do estupro

Data: Domingo, 29/05/2016 00:00
Autor(a): Tânia Nara Melo
Sobre Autor(a): É editora de Opinião do jornal Diário de Cuiabá.

A barbárie cometida contra uma jovem de 16 anos no último final de semana em uma comunidade no Rio de Janeiro, quando 33 homens praticaram um estupro coletivo contra a menor, e além de abusarem de seu corpo ainda expuseram a violência na internet como um troféu, faz com que a gente se pergunte: que mundo é este?; até quando assistiremos a esse tipo de violência?; até quando as mulheres serão obrigadas a conviver com essa cultura machista que insiste em culpar a vítima pela agressão sofrida?

 

Não há um dia sequer em que não tenhamos notícia de casos de abuso sexual contra mulheres, não importando a idade ou condição social. É triste, é revoltante!

 

Não faz muito tempo, uma pesquisa revelava que 65% dos brasileiros achavam que as mulheres que usam roupas curtas mereciam ser atacadas.

 

Uma triste constatação de que a mentalidade machista ainda predomina entre homens e mulheres no país e que ainda temos muitos obstáculos a serem vencidos para extirpar esse mal que parece arraigado na cultura brasileira.

Não há um dia sequer em que não tenhamos notícia de casos de abuso sexual contra mulheres, não importando a idade ou condição social. É triste, é revoltante!

 

Outra pesquisa feita com universitários, só vem comprovar essa tese, pois mostra que 27% dos homens entrevistados acreditam que, se uma garota tiver bebido demais, abusar dela não é uma forma de violência e outros 35% disseram que também não é uma violência "coagir uma mulher a participar de atividades degradantes, como desfiles e leilões", como também repassar fotos ou vídeos das colegas sem autorização delas não foi considerada uma forma de violência para 31% dos homens que participaram da pesquisa.

 

É triste constatar que as pessoas se acham no direito de achar que mulheres merecem ter seus corpos violados, merecem ser violentadas, merecem receber um castigo sexual decidido arbitrariamente por um homem, simplesmente pelo seu modo de vestir ou porque está alcoolizada.

 

Triste também constatar que muitas mulheres também comungam desse pensamento machista e que muitas vezes elas chegam a ser mais machistas que os homens.

 

Já disse isso antes, e reitero a afirmação de que não é a roupa, curta ou comprida, ou o fato de ter ou não bebido um pouco a mais que leva as mulheres a serem vítimas de abuso sexual, mas sim a crença de que o corpo feminino pode ser violado.

 

Mulheres que vestem burcas são estupradas, religiosas são estupradas, idosas são estupradas, crianças são estupradas.

 

Então não é a roupa a causa do estupro. O que causa o estupro é o pensamento machista de quem acredita que as mulheres são disponíveis, e que seus corpos são objetos que podem ser usados para matar o desejo sexual de mentes doentias.

 

Não bastasse esse tipo de pensamento, ainda há quem propague que ‘se a mulher soubesse se comportar’ as estatísticas de estupro seriam menores.

 

Será mesmo? Não seria o caso de perguntar: se os homens soubessem controlar seus instintos, esses números existiriam?

 

É preciso lutar contra essa cultura do estupro e punir severamente os estupradores. Adotar a medida implantada na Indonésia, que pune os estupradores com castração química, é sem dúvida um bom caminho a seguir.

 

Por ora, no entanto, só resta pedir que Deus nos proteja!

 

 

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