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ARTIGO

Coisas do Brasil real

Data: Segunda-feira, 20/06/2016 00:00
Autor(a): Alfredo da Mota Menezes
Sobre Autor(a): É historiador e analista político em Cuiabá

Por que o TCE, MPE, a CGE ou a Assembleia Legislativa não disseram nada depois da dura colocação de Blairo Maggi sobre fiscalização em obras da Copa?

 

Esta coluna vem enveredando por esse viés faz algum tempo. Não é culpar gentes. É descobrir porque não funcionam os mecanismos existentes para fiscalizar obras públicas.

 

Não se vê resultado nas supostas fiscalizações. Os fiscais de contratos nem aparecem nas fotos quando se quer saber por que a obra foi mal feita.

 

A auditoria da Controladoria Geral do Estado fez 143 relatórios sobre obras da Copa. O que fizeram os gestores sobre aquelas manifestações?

Como é que pode termos instituições de combate à corrupção que atua somente depois que a obra está pronta? Por que não seguir a obra e pagar de acordo com o que for feito e bem feito?

 

A pergunta tem que ser ampliada: por que os auditores não fizeram andar aqueles relatórios para outros lugares se os gestores não tomaram nenhuma medida?

 

Silval ou dirigente da Secopa deveriam ter tomado providências. Não se pode fazer relatórios só para constar que fez.

 

Por que não enviar aqueles relatórios para o TCE ou o Ministério Público? Primeiro tem que ser para o gestor interno? E se ele não tomar providência, fica tudo por isso mesmo?

 

Então, por que, diabos, fazer longos relatórios se ninguém liga e se ninguém pode ser punido?

 

Que país é esse que tem todos os mecanismos de combate à corrupção e hoje é considerado um dos mais corruptos mundo?

 

Não culpem a apatia do cidadão. As instituições são bem financiadas pela sociedade para falar em nome dela.

 

E no caso das obras públicas, aqui e nacionalmente, viramos piada mundial. Só está havendo punição agora por causa da delação premiada.

 

Como é que pode ter uma empresa, Planservi, paga regiamente para fazer relatórios sobre as obras do VLT e não se sabe o que fizeram?

 

E se fizeram, ninguém tomou conhecimento, seja CGE, MP, TC ou Assembleia Legislativa, órgãos para falar em nome do povo.

 

Obras foram financiadas pela Caixa Econômica Federal. Para efetuar pagamentos, deveria ter alguém ou um grupo que dissesse à Caixa se podia pagar ou não.

 

Cadê esses relatórios? Se era empréstimo federal, por que o TCU não falou nada também?

 

A Assembleia Legislativa criou um grupo para seguir as obras da Copa. Em alguns momentos, com fanfarra e presença da imprensa, foram vistoriar obras.

 

Não se sabe o que fez esse grupo para impedir o roubo de mais de 400 milhões de reais que a CPI da Copa anda dizendo que houve.

 

Como é que pode termos instituições de combate à corrupção que atua somente depois que a obra está pronta? Por que não seguir a obra e pagar de acordo com o que for feito e bem feito?

 

As obras da Copa, mesmo inacabadas ou mal feitas, deveriam ser pedagógicas e ensinar outros caminhos para impedir outras obras ruins. Tudo indica que não vai servir para nada.

 

E o pior é sentir que, mesmo frente a um descalabro desses, nossas instituições não devem melhorar o serviço de proteção ao dinheiro público constantemente jogado fora. Coisas do Brasil real.

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