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ARTIGO

Governabilidade

Data: Segunda-feira, 04/07/2016 00:00
Autor(a): Onofre Ribeiro
Sobre Autor(a): É jornalista em Mato Grosso

De sã consciência a nenhum mato-grossense interessa a rápida desconstrução que está tomando conta da gestão Pedro Taques. Contudo, é visível a olho nu que em 18 meses ela entra em perigoso isolamento político e perde toda a sua força política. Não só pela greve dos servidores públicos que completa um mês esta semana, mas pela incapacidade de formular posicionamentos políticos. Não é o único dos males.

 

Nesta semana ouvi de pessoas absolutamente experientes impressões como: "passou a fase do discurso ético. Já não convence mais. A sociedade quer respostas". Ou a afirmação corrente na Assembléia Legislativa entre os deputados de "que acabou o medo do governador Pedro Taques". De ex-governador ouvi: "até agora o governador viveu do medo que inspirou. Todo mundo perdeu o medo. É preciso mudar o discurso".

 

Nos círculos íntimos do governo também correm soltas as queixas sobre a excessiva centralização de todas as decisões nas mãos do governador e do que eles mesmos chamam de "patrulhamento". "Ninguém confia em ninguém", disse-me um dois secretários próximos ao núcleo duro do governo.

 

No meio da sociedade as percepções não são diferentes. No correr da semana o conselheiro do Tribunal de Contas, José Carlos Novelli, emitiu um parecer muito duro, onde diz que a gestão Pedro Taques politizou as denúncias contra o ex-governador Silval Barbosa e criticou abertamente a área jurídica do governo e aponta contradições da gestão com pagamentos a várias empreiteiras sobre contratos que ela mesma questiona.

 

Já a greve dos servidores públicos aponta uma longa guerra que poderia ser resolvida mediante diálogo não-impositivo. É a opinião generalizada, ainda que todos admitam as conseqüências fiscais para o Estado. "Não é a greve, disse-me um ex-governador experiente em greves. É o jeito de conversar. Nós contra vocês não funciona", disse ele.

 

Por fim, esse mesmo ex-governador lembrou método usado pelo ex-governador Dante de Oliveira, no auge da maior crise do seu governo, no começo, quando sua gestão se inviabilizava pela crise financeira. Ele fechou-se por semanas com os secretários colaboradores íntimos para uma psicanálise de grupo em Chapada dos Guimarães e em uma fazenda. Ouviu cobras e lagartos. No final formularam uma filosofia de governo que salvou a sua gestão e deu-lhe um discurso. Tá passando da hora uma coisa assim com a gestao Pedro Taques, se quiser ser salva dela mesma

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