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ARTIGO

Eleições Diretas Já!

Data: Sábado, 17/12/2016 00:00
Autor(a): Paulo Lemos 
Sobre Autor(a): É advogado e educador popular em Mato Grosso.
É óbvio que o PT cometeu erros, graves inclusive. Não só no campo da ética, mas, também, no campo programático. O PT não inventou a roda da corrupção, tampouco da política de coalizão e de conciliação, todavia, não as desfez, nem cumpriu com muitas de suas promessas. Isso é fato. Embora nem tudo dependesse apenas da sua boa vontade ou não. 
 
 
Precisamos deixar a hipocrisia e o maniqueísmo de lado, porque ninguém tem razão absoluta nesse caso.
 
 
Agora, igualmente é fato que houveram avanços significativos nos últimos anos na área social, bem como na econômica, com a inclusão de milhões de brasileiros na mesa farta das três refeições diárias, no mercado de trabalho, nas faculdades e nos aeroportos brasileiros. Pela primeira vez, muita gente viveu o que sequer conseguia sonhar anteriormente.
 
 
Na política, os avanços foram mais tímidos. A lógica do clientelismo e patrimonialismo continuou vigorando, tal como nos governos passados. Alguns dizem que os percentuais de desvio de recursos públicos diminuíram. Segundo uma testemunha ouvida na Lava Jato, na época do FHC, seria de 4 até 5%, enquanto que durante o interregno dos governos Lula e Dilma, seria de 0,5 até 1%, de propina nos contratos da Petrobras, para "a casa e os grupos políticos da base aliada".  
 
 
Em que pese a sanha das privatizações ter sido razoavelmente domada, o problema que continuou intocável, provavelmente o maior de todos, foi o da sangria da dívida pública, mediante o comprometimento de quase 50% do orçamento da União para tanto, economizando em áreas essenciais, como saúde e educação, para gerar superávit e abastecer as contas dos rentistas credores da dívida. 
 
 
A auditoria reclamada pela sociedade civil organizada ficou apenas na grita e na vontade, assim como a reforma agrária, política e tributária, entre outras.
 
 
Entretanto, nada disso justifica a quebra da normalidade democrática, a negação dos direitos básicos e o desmonte das políticas sociais que conquistamos até aqui.
 
 
O governo Temer não detém a legitimidade necessária para fazer as graves e profundas alterações na Constituição e em vários outros direitos, como tem feito, a toque de caixa, sem discussão alguma. 
 
 
Além de ele estar promovendo um programa radicalmente neoliberal, sem consentimento das urnas, chegando ao cúmulo da PEC 55 e da reforma previdenciária apresentada, no quesito ética, em menos de ano e dia, provavelmente houve mais corrupção e ataques às operações que apuram crimes contra a administração pública do que ocorreu de Sarney até Lula, pela presidência da República.
 
 
A aliança PMDB e PSDB, responsável por conduzir o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), logo após a consumação do ato - considerados por muitos um golpe -, emprestou parte dos seus principais nomes, seja para atuar diretamente no governo, seja para dar sustentação a ele, para, além do estancamento da Lava Jato - como confessou o senador Romero Jucá (PMDB) -, efetivar o realinhamento diplomático, econômico e militar com os EUA e suas multinternacionais - de olhos no Pré-Sal -, bem como atender as demandas do Sistema Financeiro, sobretudo quanto a alta da taxa de juros e a garantia de superávits recordistas, a fim de abastecer a casta do rentismo brasileiro. 
 
 
Os representantes dessa tríplice aliança e convergência de interesses pouco republicanos e nada democráticos são: Michel Temer (sindicato dos político envolvidos com a Lava Jato), Henrique Meirelles (sindicato dos banqueiros) e José Serra (sindicato das multinacionais).
 
 
Hoje, a única forma de defenestrar o ambiente estranho, antidemocrático e pervertido de Brasília/DF, na minha opinião, seriam eleições diretas. Dilma não volta, Temer não fica e o PSDB não será eleito indiretamente. O povo é que tem de decidir novamente.
 
 
Precisamos nos unir, pelo menos nessa pauta mais consensual, de não admitir a continuidade e os desmandos do governo Temer, muito menos de eleições indiretas que aleijem a participação popular mais uma vez. A única alternativa democrática que se vislumbra num horizonte possível trata-se de eleições diretas, já!
 
 
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