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ARTIGO

Mão dupla ou pacto social

Data: Terça-feira, 20/12/2016 00:00
Autor(a): Onofre Ribeiro
Sobre Autor(a): É jornalista em Mato Grosso

Os governos federal, estaduais e municipais entrarão em 2017 com pesada carga de problemas e crises enormes. Crises econômica, administrativa, econômica e de gestão. Não será exagero afirmar que a gestão pública está ingovernável. Porém, tem que se tocar o barco.

          

Vamos falar de Mato Grosso, o nosso estado. Endividado com o Tesouro Nacional, pesa uma dívida histórica, mais o aumento sucessivo dos gastos públicos e a redução da receita. Problemas à vista em larga escala. Em geral pouco lúcido, o governo federal está empurrando os governos estaduais pra reformas necessárias e indispensáveis. Objetivo: adequar a despesa à receita disponível.

 

O sistema atual de gestão esgotou-se e está no fim

Isso implica em mexer profundamente na estrutura de gastos da gestão. Implica também em contrariar poderosíssimos interesses de fornecedores, dos funcionários públicos, dos sindicatos e dos poderes. Vê-se que é uma frente muito poderosa pra ser enfrentada pelo governador Pedro Taques. Inevitável, porém.

          

É seu papel e não pode fugir disso! Mas ele e sua gestão não conseguirão sozinhos enfrentar a onda contrária dos interesses atingidos. Se não fizer isso não governará mais. O sistema atual de gestão esgotou-se e está no fim. Mas mudá-lo implica em transformar a cultura gastadora dos serviços e das obras públicas contratadas pelo governo.

 

Os poderes gastadores e sem limites nas suas despesas. Empreiteiros e prestadores de serviços habituados à cultura do pode tudo. E os funcionários públicos. São cartéis frios que se somam e se unem como uma frente poderosa, quando seus interesses são ameaçados.

   

Em Mato Grosso, no Brasil, nos demais estados e nos municípios a transformação inevitável da gestão vai padecer oposição de artilharia pesada. Só resta um caminho aos governantes: o pacto com a sociedade pagadora de impostos. Mostrar-lhe que vai reduzir a despesa ao nível adequado, que vai se esforçar por melhores serviços públicos.

 

E, o mais difícil: convencer a sociedade a apoiá-lo através de um pacto de ajuda mútua. O governo promete e se compromete com melhores serviços e a sociedade dando-lhe o seu crédito, permite que as mudanças obrigatórias sejam feitas. A sociedade está madura pra isso. Não tem outro caminho. Os cartéis e as corporações por si só não abrirão mão dos seus “direitos”..

          

Só um poderoso pacto social salvará as gestões públicas em 2017. Do contrário serão engolidas pelo abismo da falência.

 

 

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