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ARTIGO

Todos os cristãos condenam os gays?

Data: Segunda-feira, 26/12/2016 00:00
Autor(a): Paulo Lemos
Sobre Autor(a): É cristão, advogado e educador

Não acho que todos "os cristãos" têm preconceito contra os gays. Eu e minha família somos cristãos, entretanto não cremos que alguém possa ser medido pela sua condição/orientação sexual, mas, sim, por suas atitudes e caráter revelado na prática. 

 

O que nada tem a ver com a vida íntima de quem quer que seja, desde que não haja violência, exploração e/ou infidelidade, ou seja, desde que não cause dor e sofrimento para outrem, no plano físico ou psicoemocional, que decorrem do espiritual.

 

Todavia, as aludidas transgressões sexuais podem ser praticadas tanto por hétero quanto por homossexual, inclusive por religiosos. O número de héteros envolvidos com prostituição e traição, assim como de religiosos com pedofilia, por exemplo, é flagrante e alarmante. 

 

"O problema não está em sua condição/orientação sexual, e, sim, naquilo que você faz dela." 

 

Portanto, qual é o problema de uma relação homoafetiva, íntima, em que não haja violência, exploração ou traição, mas, sim, carinho, respeito e lealdade?

 

As perversões sexuais não são exclusividade de nenhuma condição/orientação​ sexual. A psicologia, psiquiatria, psicanálise e o Direito já descobriram isso tem muito tempo. Por isso que a homossexualidade já não é mais considerada uma doença, tampouco crime de costume, como já foi, e se admite hodiernamente a união estável entre pessoas do mesmo sexo.

 

Voltando aos cristãos, penso que são preconceituosos apenas aqueles que não compreenderam a mensagem libertária, igualitária e fraterna de Jesus, e que não fazem uma exegese sistemática e contextualizada da Bíblia, com o tempo, o espaço e todas as áreas de estudo da condição e dimensões humanas. Enfim, os que estão tão intoxicados de dogmas e religiosidade, impregnados de preconceitos, ignorância e arrogância, quando não de recalque, que não conseguem acompanhar os marcos de evolução civilizatória dos direitos humanos e fundamentais de todos os povos e de cada ser humano.

 

Como é que podemos nos arvorar na condição de julgar o próximo por uma condição pessoal dele, estigmatizando e abrindo ala para todo tipo de violência, que vai da simbólica até a física, alimentando ações cognitivas e comportamentais de repulsa, violência, discriminação e eliminação? 

 

Trata-se de uma cosmovisão farisaica e fascista, que atribui aos gays - independente se levam uma vida muito mais reta e altruísta do que a dos héteros e religiosos que os julgam e condenam - um "estado pecaminoso", simplesmente por serem quem são e viverem a vida de forma autêntica e sincera com eles mesmos, sem negar sua condição existencial. Qual é a razoabilidade desse raciocínio absurdo?

 

É como se alguns cristãos quisessem ser mais e melhor do que o próprio Cristo, e criar uma nova categoria de pecado originário.

 

Um bom filme para assistir sobre essa polêmica, dentre vários outros, chama-se "Filadélfia". Foi a primeira vez em que o ator Tom Hanks ganhou um Oscar, exatamente por encenar o papel de um jovem e brilhante advogado, que teria sido despedido ante o falso argumento de incompetência, quando, em verdade, foi por preconceito, por ele ser gay e por ter contraído AIDS. 

 

Fora do amor, não há salvação. A verdade liberta, ela não oprime. É tão difícil entender essa mensagem evangelística?

 

Tenho a impressão de que muitos dos gays martirizados têm mais chances e probabilidades de alcançarem o Reino dos Céus, tão pretendido, contudo ao mesmo tempo negado, pelos seus juízes mortais.

 

 

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