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ARTIGO

Religião e Sociedade

Data: Segunda-feira, 16/01/2017 00:00
Autor(a): Sandra Cristina Alves
Sobre Autor(a): É defensora pública do Estado em MT

As antigas religiões cultuavam deuses pessoais, que refletiam a imagem da própria humanidade que os havia criado. Desse comovente panteísmo primitivo a sociedade moderna está se encaminhando para um materialismo inconsequente, uma supervalorização do corpo, das coisas, do palpável, em detrimento da personalidade que em última análise independe do próprio corpo e das coisas porque perdura enquanto memória e realizações mesmo após a morte física daquela personalidade.

 

Uma personalidade é formada pelas lutas progressivas, desafios e evolução (ou mesmo involução) não só do indivíduo como do grupo em que ele está inserido. Pensamos em nós mesmos como uma unidade, mas podemos distinguir a experiência humana em pelo menos dois níveis.

 

O primeiro nível é o corpo, um organismo físico movido a base de reações eletroquímicas que em nada nos diferencia dos outros animais, simples ou complexos.

 

O segundo é a mente, realidade na qual nós percebemos nosso entorno, sentimos e pensamos, abrangendo não só nossa realidade consciente, mas também uma profunda dimensão inconsciente, sendo que esta última influencia profundamente nossas emoções, ainda que não nos apercebemos disso no dia a dia.

 

Segundo o materialismo, só existem estes níveis, mas aqueles que creem em uma doutrina religiosa, ainda que agnósticos (creem numa força superior, ainda que não nas religiões já estabelecidas), a mente se distingue do espirito, que é o sopro vital que nos distingue dos demais animais, pois somos seres movidos pela vontade pessoal e não somente pelo puro instinto. Nesse contexto, a alma representa um quarto e último nível da experiência humana, sendo a aquisição experiencial do espírito, toda a vivencia boa ou má do indivíduo até o final de sua existência material.

 

Segundo a crença das grandes religiões monoteístas que hoje são professadas pela maior parte da humanidade, somente a alma é imortal, sobrevivendo à morte física e destinada à ascensão ao paraíso, dentro de diferentes parâmetros de justiça e misericórdia divina que ao fim implicam simplesmente na colheita daquelas sementes que foram deliberadamente plantadas.

 

Esta motivação, em evidente crise numa sociedade materialista, foi o que paradoxalmente permitiu os elevados níveis de conforto e relativa paz nos dias de hoje. Por toda nossa tumultuada história das civilizações, foi a busca por uma vida virtuosa, motivada pela fé e apesar das terríveis limitações humanas, que levou a crescentes níveis de progressos na vida das sociedades, ainda que entremeadas por retrocessos representados por guerras e terríveis injustiças.

 

Enfim, independente da crença pessoal, é importante registrar a importância da fé nas imensas conquistas alcançadas pela humanidade em todos os níveis, pois a religião pode impregnar os quatro níveis da compreensão dos valores e implementação da fraternidade universal.

 

No nível físico, promove a preservação de si mesmo. No nível social ou emocional promove o sentimento de fraternidade. No nível moral fomenta a razão e o senso de dever. E no nível espiritual desperta a consciência da fraternidade universal, do amor desinteressado, da maneira de viver segundo elevados padrões morais, justificados pela experiência religiosa.

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