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ARTIGO

Vereadores ganham bem pelo pouco que fazem

Data: Segunda-feira, 16/01/2017 00:00
Autor(a): Onofre Ribeiro
Sobre Autor(a): É jornalista em Mato Grosso

O analista político Onofre Ribeiro criticou o papel desempenhado pela Câmara de Vereadores e afirmou que, há anos, os parlamentares da Capital perderam sua competência para legislar.

 

Segundo ele, tal avaliação fica evidente, por exemplo, quando se analisa o histórico recente de ex-presidentes do Legislativo, que se envolveram em escândalos de corrupção.

 

“Falta competência para legislar. O que é legislar? É produzir as leis que a cidade precisa. A Câmara de Cuiabá, sucessivamente, não tem tido competência de legislar, de fazer leis efetivas para o Município”, disse Onofre, em entrevista ao MidiaNews.

 

 

“O que eles fazem? Ficam votando projetos do Executivo e negociando. Votam negociando cargos, obras e serviços. Eles não votam de graça. E é nessas negociações que nasce a corrupção”, completou.

 

O analista repreendeu, inclusive, a aprovação, em dezembro passado, do projeto de lei que elevou em quase 24% o salário dos vereadores. Na última semana, a Mesa Diretora da Câmara solicitou ao prefeito Emanuel Pinheiro (PMDB) a devolução do projeto de Lei, recuando do reajuste.

 

“A gente tem que analisar a percepção da sociedade sobre os vereadores, que é péssima. Depois de tantos e tantos desmandos, de uma fragilidade muito grande de ação parlamentar, a Câmara chegou a ganhar o apelido de Casa dos Horrores. Isso significa o descrédito total”, disse Onofre.

 

“Se você considerar nesse ambiente, que vereador não é profissão, é função, não justifica ter aumento de salário. Estão ganhando bem pelo tanto que trabalham, pelo pouco que fazem pela cidade. Penso que eles têm que colocar as ‘barbas de molho’ e ficar quietinhos”, completou.

 

Segundo o analista, o fato de os parlamentares terem postergado para 2020 uma discussão em torno do reajuste em seus vencimentos não faz com que eles sejam vistos como “bonzinhos”.

 

 
 

“Esse movimento de recuar do reajuste é claro que aconteceu em função das críticas da população. Eles perceberam que, de repente, a população inteira ‘azedou’ com eles. Só se for tonto para não perceber que tem que colocar o pé no freio”, disse.

 

“Eles não fizeram isso porque são bonzinhos não, fizeram porque perceberam que iam cair no despenhadeiro com carro sem freio”, afirmou.

 

Cobranças

 

Na avaliação de Onofre, a atual legislação será muito mais cobrada que a anterior.

 

“Não vai bastar mais discurso de que está perto do cidadão, a política do ‘tapinha nas costas’. Isso vai acabar. Hoje, os vereadores se elegem com uma conversa, mas chegam lá é outra. Os cordeirinhos chegam lá e viram lobos”, disse.

 

“Mas isso está acabando porque a população está aprendendo a se indignar. A população começando a se incomodar com a sacanagem na política”, afirmou.

 

Reformas

 

Onofre Ribeiro prevê, inclusive, mudanças na Câmara de Vereadores decorrentes de futuras reformas políticas e na legislação eleitoral.

 

“A sociedade está começando a trilhar na direção da extinção das câmaras. Vamos ver na travessia política que vai de 2017 para eleição de 2018, uma grande reforma – se não, não há ambiente para eleições em 2018. Nessa reforma, seguramente ocorrerá ou a redução do número de vereadores ou a sua substituição por conselheiros”, disse.

 

“Por isso que eu digo: os vereadores que tratem de por a barba de molho, pois não estão com essa bola toda não. Essa é a percepção da sociedade. Da mesma forma, essa reforma partidária e eleitoral vai atingir deputados federais, estaduais, senadores. Vamos ter mudanças bastante significativas”, concluiu.

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