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ARTIGO

Por que o PMDB dura tanto?

Data: Sábado, 21/01/2017 00:00
Autor(a): Vinicius de Carvalho Araújo
Sobre Autor(a): É professor universitário e analista político.

Estes dias fui provocado quanto ao PMDB. Como o partido consegue sobreviver a sucessivos escândalos? Afinal já são mais de cinquenta anos se contarmos o MDB. Elenquei algumas razões que ajudam a entender como o PMDB tornou-se o “partido longa vida” no Brasil.

 

São elas:

 

1 – Cultura política personalista. O PMDB se nutre como poucos da cultura política do brasileiro, que vincula-se muito mais às pessoas do que partidos. Se uma pessoa é acusada de um escândalo, basta que ela seja isolada pelo partido que não contamina a legenda. Pelo outro lado, se algum agente político tem eleitorado, muda para o PMDB e o arrasta junto e assim sucessivamente. Basta olhar a história recente de Mato Grosso para confirmar a tese. O partido ganhou o prefeito da capital e dobrou sua bancada federal. Tudo graças ao bom momento em nível nacional, às oportunidades que a máquina oferece e à habilidade dos seus dirigentes.

 

2 – A maior base do partido são os pequenos e médios municípios. Este eleitorado é mais pragmático e avalia melhor aqueles que conseguem trazer benefícios para o município, independente da coloração partidária e da relação com Governo do Estado e federal. São menos ideológicos do que nas cidades maiores. Isto favorece mais uma vez o PMDB, que participa de quase todos os governos.

 

3 – O personalismo somado ao oportunismo gera um “partido camaleão”, que é aquilo que você quer que ele seja. É tão diversificado na composição dos seus quadros que pode oferecer nomes para qualquer tarefa. Se não tem, atrai. Ora apoia uma política econômica mais liberal como agora no Governo Temer, ora mais estatizante como nos Governos do PT e daí para frente. Ora resiste ao ajuste fiscal com o Senador Roberto Requião, ora implementa um dos planos mais arrojados com este objetivo, como é o caso do Governador Sartori do Rio Grande do Sul. Desta forma, aquele que conseguir o poder puxa os demais para dentro.

 

4 – O senso de oportunismo ímpar. Todo o político deve ter este senso se quiser sobreviver. Mas no caso do PMDB a capacidade de identificar para onde o vento vira e alinhar-se com as forças políticas vitoriosas é acima da média dos partidos. E como os demais sabem disto, qualquer movimento do PMDB acaba gerando um “efeito manada” naquela direção.

 

5 – São profissionais na divisão do poder. Conhecem seu próprio tamanho e exigem as contrapartidas equivalentes, mas usam a mesma régua para medir as outras forças. Isto gera uma relação mais baseada na proporcionalidade.

 

6 – Ficam nos bastidores. O PMDB percebeu há muito tempo que não é preciso ter a chefia do executivo para se exercer o poder. No nosso presidencialismo de coalizão, existem outros espaços de poder tão ou mais importantes, como partidos, financiadores de campanha, legislativo e a posição de vice, por exemplo. Não por acaso o partido não lança candidato a presidente desde 1994 e já teve três presidentes desde a redemocratização, sendo os três vices que assumiram na ausência do titular (Sarney, Itamar e Temer).

 

7 – Sabem se proteger. O nível de profissionalismo político é tão elevado que suas principais lideranças não deixam rastro de suas operações. Portanto, é mais difícil vinculá-las e condená-las.

 

8 – Não sustenta o discurso da ética. Aqueles que o fazem e constroem sua carreira política atendendo a sede que boa parte do eleitorado tem por esta mensagem acabam sendo muito mais cobrados do que os outros. Basta ver o caso do PT. Vejamos como o partido se sai agora na Presidência da República.

 

 

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