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ARTIGO

Antes da prisão

Data: Sexta-feira, 27/01/2017 00:00
Autor(a): Onofre Ribeiro
Sobre Autor(a): É jornalista em Mato Grosso

A crise penitenciária nos remete ao despreparo de planejamento do Estado brasileiro pra lidar com mudanças fora da rotina. Depois da perplexidade inicial a partir de Manaus o Estado falou todas as bobagens possíveis. Vieram propostas e propostas. Todas tiradas da cartola e da perplexidade.

 

Pois bem. Vamos tentar radiografar a crise penitenciária. O problema não está dentro das penitenciárias. Está antes dela. Antes do preso entrar na penitenciária, falharam a família, as igrejas, a escola, a saúde, a segurança, o mercado de trabalho, o judiciário, a política! Se a população carcerária criou um “Estado” à parte, ele está gritando pra sociedade e pro Estado oficial: “salvem-nos!” Como lidar, então, com o conjunto do problema? Não é construindo mais presídios!

 

 

O país não precisa de prisões. Precisa das pessoas soltas produzindo. Qualquer solução para essa crise penitenciária exige soluções sociais. Como? Oferecendo educação boa e inclusiva. Saúde e assistência social. Segurança pública adequada. Formação profissional e técnica. Justiça justa e comprometida com a cidadania dos mais fracos. Oferta de empregos através de políticas públicas específicas pra introduzir os jovens no mercado. Ensinar-lhes cidadania.

 

Aplicar com decência os recursos públicos. Envolvimento da sociedade brasileira no projeto da cidadania jovem. Existem exemplos magníficos, com resultados extraordinários. Logo, o problema antes da cadeia, tem solução pacífica e inclusiva. Qualquer proposta pra crise penitenciária que falar em construir mais presídios, é proposta criminosa. Deveria ir pra cadeia o autor da idéia.

 

A crise penitenciária é uma crise de justiça social pelos caminhos apontados. Chega de usar só os mecanismos de repressão e reclusão pra se lidar com as diversidades do comportamento social. A sociedade inteira e os jovens pobres querem apenas justiça social pra que não comecem a sua vida estigmatizados. Chega de construir presídios. Antes, construa-se a cidadania!

 

 

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