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ARTIGO

A utopia da igualdade de gênero

Data: Quinta-feira, 16/03/2017 00:00
Autor(a): Maria Rita Ferreira Uemura
Sobre Autor(a): É jornalista

O dia da mulher é uma data que nunca gostei. Comemorar com homenagem de frases feitas, flores e bombons sempre me incomodaram. Achava vitimismo ficar abordando o assunto. Na minha cabeça inocente o papo de sexo frágil e feminismo era coisa ultrapassada. Em casa fui encorajada a acreditar que o mundo era justo. Via meu pai e minha mãe em pé de igualdade.

 

Tive exemplos fortes e via neles uma grande parceria e não uma relação de poder com hierarquia. No colégio também nunca vi distinção. Eu era tão ingênua que até situações de abuso eu não conseguia identificar e, apesar disso, imaginava que o universo já havia evoluído.

 

Mas nada como o tempo. Como as situações que ocorrem na vida de praticamente toda mulher para mudar de opinião. Namorados que forçavam a barra, estranhos no ônibus, familiares sem noção. Enfim, cada mulher pode citar dezenas de situações vexatórias que já viveu. 

 

Como eu disse nada como o tempo para fazer qualquer mulher respeitar o oito de março. O motivo da escolha da data já é conhecido. Fato histórico ocorrido no século passado. Engraçado como parece que aconteceu a tanto tempo e continua tão atual. Hoje dei uma rápida olhada nos sites noticiosos e vi, infelizmente, quase uma dezena de matérias relacionadas a agressão, assassinato e abuso de mulheres.

 

Incrível como o tempo passa e este tipo de situação continua ocorrendo em detrimento de toda a evolução. Onde estamos errando? Como em pleno 2017 um homem mata uma mulher porque ela quer se separar? Em que momento faz sentido um homem agredir uma mulher porque ele se sentiu ofendido?

 

Tenho dois filhos homens e faço aqui uma confissão triste. Ao saber do sexo de ambos me senti aliviada. Imaginei quantas situações tristes eles irão evitar por serem homens nos mais variados âmbitos. Melhor oportunidade de remuneração, roupas mais confortáveis, reputação proporcional ao número de mulheres com quem se relaciona e por aí vai.

 

A humanidade pode se orgulhar do caminho de desenvolvimento que pavimentou. Mas a igualdade de gênero caminha em passos de tartaruga. Considero um sonho intangível. Daqueles que não verei sair do papel visto que ao longo de quase quarenta anos a violência contra a mulher pouco diminuiu proporcionalmente.

 

Lindo será o dia em que a mulher não precisará mais de um dia para ser respeitada.

 

 

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