JNMT - A credibilidade da notícia
NOTÍCIA

INSTITUTO SABERES E SECEL REALIZAM OFICINA DE PINTURA CORPORAL INDÍGENA

Data: Terça-feira, 28/05/2024 00:00
Fonte: JNMT

O Instituto Saberes em parceria com a SECEL – Secretaria de Estado da Cultura, Esporte e Lazer, através do Edital Viver Cultura, realizaram o projeto MYTYHYWY: PINTURA CORPORAL RIKBAKTSA que consistiu na realização de uma oficina temática de 40h para compartilhar e atualizar o conhecimento das pinturas corporais entre anciões e os mais jovens da etnia Rikbaktsa. A oficina foi realizada na Aldeia Pé de Mutum, em Juara/MT e na Aldeia Pedra Bonita, em Brasnorte/MT, que totalizam aproximadamente 50 famílias.

O ancião Paulo Tsikdi Rikbakta esteve à frente dos trabalhos e juntamente com outros experientes da comunidade utilizaram diferentes metodologias para garantir que o conhecimento fosse compartilhado com os mais jovens. A princípio, munidos de tinta de jenipapo, urucum e pincéis produzidos artesanalmente com a madeira do próprio urucum, pintaram os corpos de modelos sob os olhares atentos da comunidade. Posteriormente, fizeram registros das mesmas pinturas em papel, utilizando canetas especiais nas cores preta e vermelha, a fim de gerar registros que posteriormente serão utilizados pela comunidade e principalmente pelas escolas.

Para a professora e pesquisadora Vanilda Reis, que é associada do Instituto Saberes e co-proponente do projeto, "Dentro das comunidades indígenas, a pintura corporal assume dimensões variadas, sendo utilizada às vezes com intenção estética, outras com intenções organizacional, utilitária, profilática, protetiva dos corpos etc. Dentro dessas possibilidades, o grafismo de um povo simboliza a força da terra, da água, de todos os seres que nestes espaços habitam, incluindo os humanos. Através dos significados por trás de cada desenho a fauna e flora se manifestam, unindo-se aos humanos, sem que um seja melhor que o outro e sim, a parte que falta no outro."

Entre o povo Rikbaktsa a pintura corporal possui três finalidades: 1) identificação dos clãs para facilitar a organização das festas e rituais tradicionais; 2) proteger o corpo para enfrentar tempos difíceis como as guerras do passado e as manifestação do presente; 3) para afastar o espíritos, caso perceba-se que eles se aproximam das aldeias.

A partir deste projeto a comunidade começa a vislumbrar outras possibilidades, incluindo a economia criativa e a elaboração de material didático, a partir do grafismo milenarmente praticado pelos Rikbaktsa.