sexta, 03 de julho de 2020

COLUNA

VLT: promessa do governador

Data: Segunda-feira, 22/06/2020 16:17

Houve um tempo em que a palavra do político era sagrada e respeitada. Um simples aperto de mão era o suficiente para celebrar um acordo político ou, até mesmo, assegurar que a promessa de campanha para grandes obras seria cumprida. Afinal, a palavra empenhada era cumprida.  

Um belo exemplo de palavra de político honrada foi de Juscelino Kubitscheck. Durante a campanha, JK, então candidato pelo histórico PSD (Partido Social Democrata), foi indagado pelo cidadão jataiense Antônio Soares Neto – pessoa que eu tive a oportunidade de conhecer durante uma solenidade no Senado Federal – num comício na cidade de Jataí, no interior de Goiás, sobre a construção de Brasília.               

O episódio ocorreu em 4 de abril de 1955. Por causa de uma forte chuva, o comício precisou ser improvisado no barracão de uma oficina mecânica. O palanque usado por JK foi a carroceria de um caminhão quebrado. A pequena distância, entre ambos, facilitou que Antônio Soares fizesse o questionamento ao candidato se era verdade sobre a mudança da capital do Rio de Janeiro para o Planalto Central. Em seu discurso, JK respondeu: “Acabo de prometer que cumprirei, na íntegra, a Constituição, e não vejo razão por que esse dispositivo seja ignorado. Se for eleito, construirei a nova capital e farei a mudança da sede do governo”.

Brasília foi construída em apenas 4 anos e o Brasil deixou de ser o país da faixa do litoral. Deveria ser assim sempre. Mas, não é o que acontece em nossos dias. A maioria das obras começaram e não terminam, como é o caso do VLT de Cuiabá - Várzea Grande.

Fazer promessas para conquistar o voto do eleitor e depois não cumprir é falta de honestidade com os eleitores,

No dia 24 de julho de 2018, o pré-candidato a governador Mauro Mendes disse que, se fosse eleito, iria dar uma solução para o VLT em um ano. A declaração de Mendes foi feita em entrevista no programa “Resumo do Dia”, na Televisão Brasil Oeste, Canal 8, de forma enfática: “O que eu posso dizer com toda a tranquilidade é o seguinte: nós vamos resolver as obras do VLT em no máximo um ano.

Agora qual é a solução? Se der para terminar nós vamos terminar. Se não der para terminar nós vamos dizer quais os motivos, porque e qual a alternativa. Não vamos ficar mais quatro anos, como ficou agora, enrolando e os vagões ao relento”.                     

E o tempo tem passado sem uma ou outra coisa. A sociedade tem sido ignorada, tratada com desrespeito. As instituições não têm agido. O dinheiro sai pelo ralo e as obras de interesse do povo continuam paralisadas, os equipamentos sendo deteriorados e o povo ainda é obrigado andar em ônibus apertados e poluentes.                    

Precisamos modernizar o transporte público de nossas grandes cidades. Devemos fazê-lo de forma planejada e respeitando a saúde da população e o meio ambiente. O transporte coletivo é o eixo da mobilidade urbana e o vetor para se humanizar as cidades. Assim tem sido nas principais e mais modernas cidades da Europa. Aprendemos com eles e podemos fazer melhor aqui em Mato Grosso. Mas falta decisão política. Falta que políticos cumpram com o que prometem.

Fazer promessas para conquistar o voto do eleitor e depois não cumprir é falta de honestidade com os eleitores, essa prática pode ser considerada “estelionato eleitoral” – quando as medidas adotadas são opostas à plataforma ideológica divulgada em campanha.                      

O filósofo grego da Antiga Grécia, Demócrito, já dizia há mais de 2 mil anos: “o caráter de um homem faz seu destino”.

Autor: Vicente Vuolo
Sobre o autor:
É economista, cientista político e coordenador do Movimento Pró-VLT.