terça, 24 de novembro de 2020

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Data: Quinta-feira, 19 de novembro de 2020     Fonte: G1 MT

Pesquisadores recrutam voluntários para teste de vacina contra Covid-19 em Cuiabá

O ensaio clínico para testar a eficácia do imunizante é coordenado pelo Instituto Butantan, de São Paulo, e autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
Reprodução
O Hospital Universitário Júlio Muller (HUJM) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) está recrutando voluntários para os testes da vacina CoronaVac, contra o novo coronavírus em humanos.
 
No Brasil, o ensaio clínico para testar a eficácia do imunizante é coordenado pelo Instituto Butantan, de São Paulo, e autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Cuiabá é um dos 16 centros, espalhados por 7 estados brasileiros, participantes do ensaio multicêntrico.
 
Desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac Biotech, a vacina é uma das 10 que no mundo todo se encontram na fase 3, penúltima antes da aprovação, e até o momento tem apresentado resultados promissores segundo os pesquisadores do Instituto Butantan e demais estudiosos envolvidos no estudo.
 
Na capital mato-grossense, onde os testes começaram a ser realizados no dia 6 de outubro, a pesquisa é coordenada pelo professor Cor Jesus Fernandes Fontes, da Faculdade de Medicina (FM) da UFMT e pesquisador do Núcleo de Pesquisa Clínica do HUJM.
 
Segundo Cor, a CoronaVac já foi aplicada em mais de 10 mil profissionais da saúde no Brasil, sem a apresentação de nenhum evento adverso grave. “Um efeito adverso grave, por definição internacional, é toda manifestação relacionada ao produto que está sob investigação, pode ser medicamento ou vacina, que resulte em óbito, invalidez ou alguma anomalia”, explica Fontes.
 
Na última segunda-feira (9), a Anvisa havia suspendido os estudos da vacina no Brasil após a morte de um voluntário. A medida provocou uma série de questionamentos por parte de pesquisadores envolvidos no estudo e autoridades, mas o Instituto Butantan esclareceu que o evento não tinha nenhuma relação com a vacina. Na quarta-feira (11), a agência anunciou a retomada dos ensaios.
 
“É super normal durante o desenvolvimento de um ensaio clínico haver suspensões e interrupções por parte dos organismo regulatórios, exatamente porque um evento adverso grave tem que ser analisado primeiro. O fato que gerou espanto é que todas as informações que já haviam sido repassadas para a Anvisa já mostravam que não havia relação entre o óbito e a vacina, mas ela achou por bem interromper e reanalisar, e dessa reanálise foi concluída hoje que não tem relação mesmo e nós já retomamos a condução do ensaio em Cuiabá”, conta Cor sobre a interrupção dos testes no Brasil.
 
Em relação à eficácia, a expectativa dos pesquisadores envolvidos na pesquisa da CoronaVac é de que o imunizante ofereça a proteção necessária, principalmente por utilizar uma tecnologia bastante tradicional, diz Cor Jesus. Essa vacina utiliza uma versão inativa do vírus, obtido de cultura de célula.
 
Isso significa que o vírus, inteiro, foi exposto ao calor e substâncias químicas até não ser capaz de se reproduzir e representar riscos ao paciente. Feito isso, a inoculação é feita no organismo, que desenvolve formas de combater a doença sem deixar o indivíduo enfermo.
 
“Esse vírus inteiro, ele tem a vantagem de induzir uma resposta imunológica mais alta, mais poderosa, porque o vírus vai completo no organismo da pessoa imunizada. É diferente de quando você dá uma partícula viral e você estimula uma resposta imune apenas contra essa partícula”, afirma Fontes.
 
Atualmente, a fase 3 da CoronaVac está em testes no Brasil, mas antes de chegar até aqui ela passou por 3 outras fases, a pré clínica, fase 1 e fase 2, realizadas na China, que atestaram a segurança da continuidade dos estudos do imunizante.
 
“No Brasil todo, a gente espera algo em torno de 15 mil participantes profissionais de saúde, que nós vamos acompanhar durante um tempo prolongado, além de observar a segurança, continuaremos observando eventos adversos. Se passar por essa fase e ela se mostrar eficaz, aí ela vai pra fase 4, onde será aprovada e comercializada”, explica Fontes.
 
Em Cuiabá, de acordo com o pesquisador Cor, o HUJM espera incluir aproximadamente 800 participantes voluntários nos testes. Até o momento apenas 160 voluntários, 20% do total esperado, foram cadastrados e por isso o HUJM segue com o recrutamento para novos participantes aberto. “Esses voluntários têm que ser profissionais de saúde que façam atendimento de pessoas com Covid-19 ou suspeitas de Covid-19 e que tenham conselho de classe”.
 
Os pré-requisitos para voluntários interessados de Cuiabá são: atuar como médicos, enfermeiros, bioquímicos, farmacêuticos, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas, fonoaudiólogos, dentistas, com registro em conselho de classe, ter idade acima de 18 anos e sem limite superior de idade, desde que esteja atuando na atenção a pacientes com Covid-19. O voluntário pode ter ou não ter tido Covid-19 antes.
 
Para quem tem interesse em participar do ensaio como voluntário, o contato com o HUJM deve ser realizado a partir dos telefones (65) 3615-7319 e (65) 98466-5246, ou WhatsApp (65) 98466-5246.