sábado, 23 de janeiro de 2021

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Data: Terça-feira, 24 de novembro de 2020     Fonte: Record TV*

Fiscal que intimidou quem filmava morte de João Alberto é presa

Adriana Alves Dutra foi considerada coautora do homícidio pela polícia por ter voz de comando sobre seguranças que espancaram a vítima em Porto Alegre
Reprodução

Foi presa no fim da tarde desta terça-feirea (24) a fiscal Adriana Alves Dutra, que trabalha unidade do Carrefour onde João Alberto Freitas foi espancado até a morte por seguranças em Porto Alegre. Para a polícia, ela foi coautora do homícidio por tentar intimidar quem registrava as agressões.

Adriana se apresentou voluntariamente à Polícia Civil. Ela imaginou que não poderia ser presa por causa da lei eleitoral. Mas pode, porque é residente de Alvorada, na região metropolitana de Porto Alegre, cidade onde não haverá segundo turno.

"Entendemos que essa mulher tem uma participação decisiva nas agressões uma vez que se identificou que ela teria um poder de comando sobre os dois seguranças que provocaram a sua morte", afirma a delegada Vanessa Pitrez, diretora do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) do Rio Grande do Sul.

Em um dos vídeos que registra o assassinato, ela aparece dizendo a frase "não faz isso que eu vou te queimar na loja" a um funcionário que filmava o espancamento.

Sete pessoas são investigadas no inquérito da morte de João Alberto. A Comissão Especial da Igualdade Racial da OAB do Rio Grande do Sul pediu o fechamento da unidade do Carrefour onde ocorreu o crime.

Outras prisões

Além de Adriana, já foram presos os dois seguranças Giovane Gaspar da Silva e Magno Braz Borges, que foram flagrados espancado Freitas até a morte. A Justiça decretou a prisão preventiva dos dois. A Polícia Civil já tinha adiantado que outras pessoas, flagradas na cena do crime, estavam sendo investigadas para apurar se houve omissão de socorro.

"Estamos tentando identificar a conduta de cada um deles para ver se houve conduta omissiva. Além disso, buscamos elucidar a motivação do crime e estabelecer uma dinâmica dos fatos", afirmou a chefe da Polícia Civil, delegada Nadine Anflor.

Na sexta-feira (27), vence o prazo de dez dias para conclusão do inquérito. A Polícia Civil pode pedir prorrogação por mais 15 dias para concluir investigação. Um dia depois do crime, na sexta-feira, a investigação informou que o laudo preliminar do Instituto Geral de Perícias (IGP) apontou a asfixia como causa da morte.

Polícia amplia investigações

A Polícia Civil ampliou as investigações e busca esclarecer se houve omissão de socorro das demais pessoas que assistiram aos dois seguranças brancos espancarem até a morte João Alberto Silveira Freitas.

Enquanto João Beto, como era conhecido, era agredido, outras pessoas acompanhavam o crime. Além de Adriana, a fiscal que foi presa, um outro funcionário do mercado também tem a conduta investigada. Outros possíveis envolvidos também podem ser implicados, afirmou a chefe da Polícia Civil, delegada Nadine Anflor.

Além disso, a delegada Roberta Bertoldo, responsável pela investigação, pediu autorização da Justiça para ouvir os seguranças presos. "Pretendemos ouvir os dois. O inquérito será concluído somente quando concluirmos esta etapa e tivermos o laudo pericial", afirmou. A dupla vai responder por homicídio triplamente qualificado. O inquérito também apura o crime de injúria racial.

Defesa

O advogado David Leal assegurou que o cliente dele, Giovane, que é policial militar temporário, prestará todos os esclarecimentos. Na quinta-feira (19), quando foram detidos, os vigias ficaram em silêncio. Na segunda (23), Leal confirmou que Silva estava fazendo um "bico" no dia da agressão, sem vínculo trabalhista. O Grupo Vector, responsável pela fiscalização do hipermercado, refutou a informação. A reportagem não conseguiu contato com o defensor de Magno Braz Borges.